Vida de Mãe
sábado, 15 de novembro de 2014
Relato de Parto, Maria Luíza, nossa menina ♥
Eu estava grávida de 40 semanas e nenhum sinal de entrar em trabalho de parto.
Fui à última consulta com o Dr. Rodrigo, o qual acompanhou só as últimas semanas de gestação. Falei que não tinha nenhuma mudança até então, ele me deu uma carta, para entregar na maternidade para que houvesse a indução do parto, pois eu não queira ter uma Cesariana.
Ele me pediu para esperar até o último dia, quando completasse 41 semanas, o que seria no domingo, dia 26 de Fevereiro. Tínhamos combinado de irmos só ao final da tarde, pra minha mãe poder ir junto, mais no fim, acordamos cedo, e partimos cedinho para a Maternidade, chegando na cabeceira da ponte de Florianópolis, lembramos que talvez o telefone estivesse fora do gancho, lá voltamos, enfim chegamos na frente, mais, onde estacionar? Não tinha vaga.
Gleydson, meu queridíssimo marido, mais nervoso que eu, foi estacionar enquanto dávamos entrada na Maternidade. Ali demoramos uma meia hora, só faltou perguntar que cor de calcinha eu estava usando kkkk.
Depois fomos para a sala de espera e esperamos, esperamos, esperamos.. Acho que ficamos quase uma hora ou mais. Enfim, a Doutora me chamou, conversou comigo, perguntou muita coisa, se eu queria começar o procedimento “hoje, ou amanhã”, já que eu estava ali, e MUITO agoniada, começaria naquela hora mesmo. A Doutora saiu, entrou outra moça, para começar a me explicar as coisas, fez o que tinha que fazer, minha mãe entrou, decidimos quem iria me acompanhar (minha mãe durante o dia, meu marido a noite).
Marido foi embora, eu e a mãe fomos conhecer as salas de pré-parto e parto, o lugar onde eu iria ficar, banheiros, etc.
Isso já era 11 e pouco, o almoço já tinha passado, e eu de estomago vazio, passou uma enfermeira para ver como eu estava, falei: nervosa e com fome. Perguntei se eu não poderia comer, ela não sabia, foi perguntar a um médico, nisso demorou quase uma hora, lá ela me trouxe, meio pacotinho de bolacha salgada integral com suco de abacaxi, nossa, comi com tanta vontade, me esbaldei kkkkk
Logo mais, uma e pouco da tarde, chega a primeira enfermeira, com o primeiro comprimido. Explicou-me como seria a indução, 4 comprimidos, um a cada 3 horas, caso não mudasse nada, eu iria para o “tal soro”..
Ali se foi o primeiro, o segundo comprimido, teve a troca de acompanhantes, teve o terceiro comprimido, mais nada, nenhum sinal de TP... Claro, ouve vários toques, um a cada hora, escutavam o coraçãozinho dela, aaaah, e lá veio a fomeee... Oi? Cadê minha janta? Lá foi marido atrás disso, a enfermeira chegou e perguntou: Como assim? Não passaram pra perguntar da janta? AFFF já te trago! Lá vem ela, com um baita prato de Canja (agua, muita agua, batatinha, cenoura, chuchu, e um brinde, um pedacinho de galinha, kkkk), comi imaginando um pedação de pizza. Se tivesse outros pratos, eu comia também...
Já era umas 11 e pouco e comecei a sentir agonia, umas dores nas costas, um desconforto enorme, umas fisgadas, nisso ficou até 1 hora da manhã, mais não tinha mais passado ninguém para me ver, desde o último comprimido as 8 e pouco. Até que apareceu, um enfermeiro, meio constrangido para fazer o toque, pois meu marido estava ali comigo, ele fez o toque e constatou, 3cm de dilatação, chamou outra enfermeira, fez outro toque, tá entre 3 e 4cm.. Pronto, as dores indolores mudaram para contrações... Seria psicológico? Eu digo e afirmo, SIM!
Dai comecei a andar pelo corredorzinho, ali iam e vinham mamãe, com bebês na barriga e saiam com bebês nos braços... Lembrei que minhas dores em casa aliviava no chuveiro, então fui pro chuveiro, lá eu me transformava, passava minhas dores, eu reinava, me sentia uma mulher, conversava com minha filha, lembrava da minha infância, de que a algumas horas, tudo iria mudar, eu deixaria de ser menina e me transformar em mulher.. Pensava no meu marido, que estava dormindo lá na cadeira, na minha mãe em casa dormindo (ou não) pensando no seu bebê ganhando outro bebê, na Molly, em casa, sentindo minha falta... Ia e vinha no banheiro, vergonha de alguém precisar usar e eu lá no meu mundinho... Nisso passei umas 4 horas, da última vez, devo ter ficado duas horas direto, nisso eu tinha chamado meu marido, pois me sentia tonta, sentia que já estava chegando a hora, tinha medo de cair no banheiro sozinha.. Meu marido sentou lá no canto do banheiro, pois eu queria privacidade, mais queria ele ali comigo, ele queria entrar no chuveiro pra me segurar, mais eu disse: Esse momento é meu, preciso de ti para me apoiar, conta piada, conversa comigo, me distrai... Lá estava ele sentado no chão do banheiro conversando comigo, lembrando de tudo o que passamos juntos, as horas foram passando.. Dai fui para minha maca, a pior escolha, comecei a me contorcer de dor, berrava feita louca, chorava, pedia ajuda a Deus, queria desistir, mais meu marido, o homem da minha vida, todo desesperado falava: tu vai conseguir, tu és mais forte que tu imaginas, se tu não conseguir eu te bato, queres apanhar? Na frente de todo mundo? Não né? Nisso vem alguém fazer um toque, eu estava com 7, 8cm..
Eu estava exausta, não tinha dormido NADA duas noites! Eu abraçava meu marido e dizia, não quero mais, eu desisto, passa a faca... Ele nem respondia mais, só ficava ali me apoiando, tadinho, eu o esmagava, mordia, beliscava... Nessa hora eu vi o homem que tenho do meu lado, o Grande homem na verdade, apesar de não demonstrar muito, eu posso sim contar com ele...
Depois disso, só contrações, muitas, uma atrás da outra, eu fechava os olhos entre elas e pensava, pronto, passou vou dormir, pff tadinha. Vinha mais, eu estava exausta, queria dormir, mais não podia, sem eu querer, meu corpo fazia força, o eu poderia fazer era rezar, pedir ajuda, pedir a benção de Deus... Nisso, já deveria ser umas 07:45, segundo meu marido eu já revirava os olhos pra desmaiar, lembro de puxar ele, abraçar e dizer: TE AMO, DESCULPA POR TUDO, TE AMO MAIS QUE TUDO NA MINHA VIDA E SEMPRE TE AMAREI! Depois me lembro dele chegar com a médica e ela dizer: Calma pai é normal, ela levanta o meu lençol, e pergunta pra ele: Pai, quer ver a cabecinha do bebê? Nisso eu despertei, vi que eu precisava entrar na ativa novamente, que faltava pouco, trocaram meus lençóis e a médica diz: continua fazendo força mãe, tá quase... Ela berra: MESA PRECISO DE MEESA!
Fez o último toque, minha vontade era de chutar a mão dela, e ela diz: Parabéns, 10cm de dilatação, vamos pra sala de parto?? Digo: Vou, mais como? O.o Pelo meu marido eu ia carregada, mais fui caminhando (e o medo da malu nascer? Kkkk) Era um passo uma parada por conta da contração, enfim, cheguei na sala, e agora? Com contrações seguidas como subir na “mesa”? Só com ajuda. Subi, e agora? O que faço? O jeito é fazer força. Pego na mão do marido, digo um “te amo” gemendo.. Chega a tal enfermeira, me dando todo o apoio, me falando palavras bonitas me dizendo: calma mãezinha, ela já vai nascer, força, vai. Dai eu falei pra ela: Não, eu não consigo, não tenho mais forças! Ela: Tu consegue sim, tu quis isso, ela precisa de ti, da tua força. A hora que a contração vir, tu faz força até perder a respiração, ficar sem ar mesmo... Dai fiz força, e ela: não para, aperta minha mão, não te preocupa que não me vai machucar... Fiz forças 2 vezes e parava no meio, na 3ª fiz força, apertei a mão dela, e fiquei ali até perder todo o ar que eu tinha, a hora que "saiu" ela soltou minha mão, deu os parabéns, e saiu por de trás da médica e saiu pela porta, como uma enfermeira normal.. Só mês passado fui saber que não tinha enfermeira nenhuma. Mais isso já é outra historia. Olho pro marido e ele tá verde, assim que ela nasceu, batemos fotos e ele saiu correndo tadinho passou mal, entrou minha mãe, pálida, passando mal também, jesuuuus, que acompanhantes heim? Kkkk
Enfim, esse foi meu relato, Maria Luíza Bernardo Damazio, nasceu as 07h56min da manhã do dia 27 de Fevereiro de 2012 pesando 3,470kg e medindo 46cm de Parto Normal com episiotomia na Maternidade Carmela Dutra em Florianópolis, SC.
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